em Fanzines

A revolução será xerocada

Antes de virar jornalista, eu já era fanzineiro. Antes do computador, eu usava papel, cola e tesoura. Antes de vistosas impressões multicoloridas, eu usava e abusava dos dois únicos recursos das máquinas de xerox – ampliar ou reduzir. Antes das redes sociais, eu trocava meus zines com o mundo inteiro pelo correio.

Chester Floyd Carlson (1906-1968), inventor da fotocopiadora

Chester Floyd Carlson (1906-1968), inventor da fotocopiadora

Depois veio a tecnologia e as experimentações. Blogs, sites, fanpages e o que ainda está por vir. Entre inúmeros casos de tentativa e erro, um e outro acerto, vejo que a tecnologia é boa para muitas coisas, inclusive cultivar boas ideias.

Mas, infelizmente, grande parte dos bytes espalhados por aí estão ocupados por assuntos sem relevância (pelo menos para mim), fazendo prosperar uma espécie de “culto ao medíocre”.

Então, deletei minhas tentativas tecnológicas da memória e percebi que, por mais absurda que esta afirmação possa parecer, o futuro está no papel xerocado dos fanzines. No nosso meio (o meio dos zineiros), o público pode ser pequeno, mas sabe o que quer. E é para ele que quero continuar escrevendo. Mesmo porque, se eu quisesse conquistar as massas, eu faria um blog de humor tão sem graça como a maioria espalhada por aí.

Este é o blog do fanzine A Falecida. Ele não é um fim, mas sim um meio. Acompanhe e fique por dentro do que já aconteceu nesta história de mais de duas décadas e no que ainda vem por aí. E olha que ainda vem muita coisa!

Angelo DavançoAngelo Davanço
fanzineiro e jornalista, necessariamente nesta ordem

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