Saiu o zine A Falecida # 14

O zine A Falecida, com 26 anos de história, acaba de lançar a sua edição número 14. Feito em parceria entre Angelo Davanço e Vinícius Falcão, o zine é uma edição especial destinada à obra do autor norte-americano Jonathan Safran Foer.

A Falecida # 14 traz textos sobre a obra de Foer, quadrinhos baseados em suas histórias, indicações de todos os seus livros e filmes e vem cheia de referências à criação do autor, a começar pelo saquinho ziploc que embala o zine.

Entre em contato e peça já o seu exemplar.

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Workshop de fanzines na Livraria da Travessa

No dia 5 de novembro foi realizado o 2º Workshop de Zines na Livraria da Travessa, em Ribeirão Preto, com a coordenação de Angelo Davanço, editor de A Falecida.

Gente que faz fanzines, gente que nunca fez, mas pensa em fazer, em um encontro pra lá de produtivo e que vai resultar em um zine coletivo. Aguarde!

O próximo encontro será realizado no dia 3 de dezembro, não perca.

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A Falecida # 0, edição especial de 25 anos

O zine A Falecida surgiu em julho de 1991. Em 2016, para comemorar os seus 25 anos, a edição número zero ganhou uma edição especial de relançamento. Com capa colorida para a obra do artista plástico Luiz Carlos Falcão, o miolo traz o zine original, todo composto com o uso de máquina de escrever, letras set, tinta nanquim e recortes.

A Falecida # 0, edição especial de 25 anos traz entrevistas com Arnaldo Antunes, Toni Bellotto e Renato Russo, além de trechos da obra de Charles Bukowski e o mini-conto ‘O Segredo de Stanis’.

Para adquirir o seu exemplar (R$ 8,00, incluindo a postagem), entre em contato pelo e-mail zineafalecida@gmail.com ou nos procure no Facebook.

A Falecida, 25 anos

Não é todo dia que um fanzine completa 25 anos de existência. E um fanzine de papel, xerocado, continuar na ativa em tempos de blogs e redes sociais, é algo mais improvável ainda. Pois, para comemorar a data, o zine A Falecida vai realizar um evento especial no dia 6 de agosto, às 20h, no Teatro Santarosa, em Ribeirão Preto/SP.

“A ideia é reviver um pouco de como foi a noite de 1º de julho de 1991, quando lançamos A Falecida número zero no teatro da Unaerp”, diz o fanzineiro e jornalista Angelo Davanço, criador do zine ao lado de Milton Bilar Montero e José Luiz Gomes.

Assim como há 25 anos, os músicos Joca Vita (baixo), Régis Martins (guitarra e vocal) e Jefferson Barcellos (bateria) subirão ao palco para um reencontro histórico. Juntos, eles vão mostrar ao público um show composto por músicas das bandas Os Egoístas e Motorcycle Mama.

Os Egoístas + Motorcycle Mama: Régis Martins, Joca Vita e Jefferson Barcelos

Os Egoístas + Motorcycle Mama: Régis Martins, Joca Vita e Jefferson Barcellos

Surgida em 1990, a banda Os Egoístas mudou de nome em 1992 para Motorcycle Mama, numa referência à música do ídolo Neil Young. Em seguida, participaram de festivais pelo país e gravaram três demos: Bang-Bang K7, Sonic Shampoo Disaster e a festejada Aberrações do Sexo Alucinante.

Essa última chamou a atenção do guitarrista da Legião Urbana, Dado Villa-Lobos, que em 1996, convidou o grupo para participar da coletânea “Brasil Compacto”, pelo selo carioca ‘Rock It’. O grupo durou até o inicio de 1998, deixando seus fãs inconsoláveis.

Em 2016, Gabriel Thomaz, líder da banda Autoramas, lançou o livro Magnéticos 90, sobre o rock independente dos anos 1990, e coloca Sonic Shampoo Disaster e Aberrações do Sexo Alucinante entre os trabalhos de destaque daquela geração.

A Falecida

Além de reviver este reencontro musical histórico, o público poderá participar, ainda, do relançamento do zine A Falecida # 0. Hoje item de colecionador de fanzines e outras publicações independentes, a edição número zero de A Falecida teve tiragem de apenas 100 exemplares, esgotados no próprio evento de lançamento.

Será uma boa oportunidade de levar para casa a edição que trouxe entrevistas exclusivas com Renato Russo, os Titãs, trechos da obra de Charles Bukowski, além de um conto, fotografias e histórias em quadrinhos, em uma reprodução fiel do que foi publicado há 25 anos.

Angelo Davanço e o zine A Falecida # 0 - Foto: Jefferson Barcelos

Angelo Davanço e o zine A Falecida # 0 – Foto: Jefferson Barcellos

“Será interessante para a geração atual conferir como é que produzíamos comunicação e cultura na pré-história da internet, no melhor estilo do ‘faça você mesmo’. Sem computador à disposição, o jeito, em julho de 1991, foi montar os textos do zine datilografando em uma máquina elétrica alugada, com direito a papel recortado, cola e muita criatividade”, relembra Angelo.

A noite “Zine A Falecida, 25 anos” ainda terá mostra de trabalhos do artista plástico Luiz Carlos Falcão, autor das primeiras capas do zine, além da coleção completa de A Falecida e de outros zines de todo o Brasil.

 

Serviço

Zine A Falecida, 25 anos

Quando: Dia 6 de agosto, às 20h

Onde: Teatro Santarosa (Praça Rotary Clube, 325, City Ribeirão)

Quanto: Ingressos antecipados a R$ 10

Inf.: (16) 3916-1350 / (16) 99752-0392 / Evento no Facebook

Palestra na Biblioteca da Canaoeste

No dia 22 de junho de 2016, um grupo de alunos e professores do cursinho popular Edgar Morin participou da palestra “Faça Zine – O Mundo Criativo dos Fanzines”, com o fanzineiro e jornalista Angelo Davanço, editor do zine A Falecida.

A palestra fez parte do Circuito Biblio Geek 2016, organizado pelo Haroldo Beraldo na Biblioteca da Canaoeste, em Sertãozinho/SP.

Confira algumas fotos:

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Quer levar a palestra sobre zines para sua escola, biblioteca, ONG ou outras entidades? Entre em contato.

A Falecida # 0

A Falecida número zero foi lançada no dia 1º de julho de 1991. Era uma noite de segunda-feira e os 100 exemplares de 20 páginas haviam ficado prontos poucas horas antes. Para lançar o fanzine, o Zé Luiz, o Milton e eu convidamos a banda de três amigos – Régis, Jefferson e Joca -, que atendiam pelo nome “Os Egoístas” (depois Motorcycle Mama e hoje Motormama).

Num anfiteatro da Unaerp (Universidade de Ribeirão Preto) quase lotado, distribuímos nosso zine, projetamos slides com desenhos de Robert Crumb e ouvimos o rock dos Egoístas. Até a TV Ribeirão apareceu e deu uma matéria no dia seguinte. O lançamento do zine também foi notícia nas páginas do jornal Folha de S. Paulo, em seu caderno local.

A Falecida # 0 foi o resultado de quase dois anos de leituras, entrevistas, quadrinhos e rock’n’roll. Suas páginas trazem entrevistas com os titãs Arnaldo Antunes e Toni Bellotto, sobre poesia concreta e seus discos, um papo com Renato Russo sobre Legião Urbana, cinema e política, trechos da escrita certeira de Charles Bukowski, um miniconto (O Segredo de Stanis) de Mário Marins e uma divertida história em quadrinhos do Rufferto, o cão do Groo, personagens do impagável Sergio Aragonés.

A capa, que você vê acima, é um trabalho do artista plástico Luiz Carlos Falcão (1961-2003). Abaixo, um pedaço do zine, a página 3, com uma entrevista com Arnaldo Antunes, que naquele tempo ainda fazia parte dos Titãs e havia acabo de lançar o seu segundo livro, “Tudos”.

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A FALECIDA # 0
MÊS E ANO: Julho de 1991
EDITORES: Angelo Davanço, José Luís Gomes e Milton Bilar Montero
NÚMERO DE PÁGINAS: 20
FORMATO: Meio ofício, grampeado
COMPOSIÇÃO: Máquina de escrever, colagens e letra transfer
IMPRESSÃO: Fotocópia
DISTRIBUIÇÃO: Gratuita
TIRAGEM: 100 exemplares
TEMÁTICA: Histórias em quadrinhos, literatura, música, entrevistas, contos, fotografia
RESENHA: A primeira edição do fanzine A Falecida tem material produzido pelos editores, colaborações de Mário Marins (conto) e Henrique Porto (fotografia), HQ pirateada de Aragonés e capa do artista plástico Luís Carlos Falcão. Traz entrevistas com Arnaldo Antunes, Renato Russo e Toni Bellotto, trechos selecionados de textos do poeta Charles Bukowski, o conto Segredo de Stanis e uma fotografia. Conta com apoio cultural da Hedonê Livraria e Papelaria.

A revolução será xerocada

Antes de virar jornalista, eu já era fanzineiro. Antes do computador, eu usava papel, cola e tesoura. Antes de vistosas impressões multicoloridas, eu usava e abusava dos dois únicos recursos das máquinas de xerox – ampliar ou reduzir. Antes das redes sociais, eu trocava meus zines com o mundo inteiro pelo correio.

Chester Floyd Carlson (1906-1968), inventor da fotocopiadora

Chester Floyd Carlson (1906-1968), inventor da fotocopiadora

Depois veio a tecnologia e as experimentações. Blogs, sites, fanpages e o que ainda está por vir. Entre inúmeros casos de tentativa e erro, um e outro acerto, vejo que a tecnologia é boa para muitas coisas, inclusive cultivar boas ideias.

Mas, infelizmente, grande parte dos bytes espalhados por aí estão ocupados por assuntos sem relevância (pelo menos para mim), fazendo prosperar uma espécie de “culto ao medíocre”.

Então, deletei minhas tentativas tecnológicas da memória e percebi que, por mais absurda que esta afirmação possa parecer, o futuro está no papel xerocado dos fanzines. No nosso meio (o meio dos zineiros), o público pode ser pequeno, mas sabe o que quer. E é para ele que quero continuar escrevendo. Mesmo porque, se eu quisesse conquistar as massas, eu faria um blog de humor tão sem graça como a maioria espalhada por aí.

Este é o blog do fanzine A Falecida. Ele não é um fim, mas sim um meio. Acompanhe e fique por dentro do que já aconteceu nesta história de mais de duas décadas e no que ainda vem por aí. E olha que ainda vem muita coisa!

Angelo DavançoAngelo Davanço
fanzineiro e jornalista, necessariamente nesta ordem